sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Quando Ruth, a balconista, realmente não estava.

Imaginei que os deuses haviam sorrido para mim esta semana, e sem ironias me permitiriam um passeio até a farmácia de Ruth. Sem ironias porque eram médicos marcados de antemão, e não que tiveram que aparecer às pressas, por conta de uma cólica renal, que está à espreita, mas ainda não veio – e espero que não venha. Mas que nada, nenhum dos dois médicos me receitou receita que a farmácia da Ruth vendesse. Aílton me receitou dois medicamentos homeopáticos, e ainda que a filha da dona da farmácia homeopática seja bonitinha, não é a Ruth – o que não espanta, afinal, a Ruth...

Entretanto, na sexta consegui um bom pretexto para ir ao centro – leia-se sair de Barão destino Campinas: buscar os novos cartões de visita e os marca-páginas da Casuística. Só chegariam no meio da tarde, de forma que eu precisaria ser preciso nos meus horários, a tempo de buscar a encomenda e ter tempo de encontrar Ruth ainda em serviço. Esperança extra para o pacote com os cartões, feitos a partir de duas belas fotos de Vinícius Libardoni, para que o cartão colado nele chamasse a atenção da Ruth, e assim conseguíssemos encetar mais facilmente um assunto qualquer, para podermos, finalmente, chegar aos assuntos interessantes.

Pacote sobre o braço, suando em bicas, a barba por fazer (não tive tempo de me arrumar direito), adentro a farmácia onde Ruth trabalha e logo me deparo com o delicado frescor do ar-condicionado. Vejo duas balconistas, as duas ocupadas: comemoro minha sorte e fico no aguardo de Ruth aparecer para me atender. Reparo, então, que não reconheço as atendentes: não são as mesmas do horário de Ruth. Um tempinho mais de espera, e nada da Ruth dar o ar da graça, sendo que um dos clientes dava pintas de estar concluindo sua compra.

Penso rápido e resolvo atender meu celular desligado. Como sou uma pessoa educada, saio da loja para não perturbar outras pessoas com minha conversa imaginária – até porque minha ascendência italiana pode me tornar um tanto inconveniente nessas horas, digo, nas com interlocutores verdadeiros do outro lado da linha. Ainda me quedo um tempo na entrada da loja, celular no ouvido. Definitivamente, Ruth não estava mais àquela hora. Caminho distraidamente, sempre ao celular, e trato de ir embora logo dali: me resta ainda um motivo para nova tentativa de encontrar Ruth, algum outro dia. Não terei um pacote com um cartão bonito colado, porém sou capaz de elogiar a decoração de natal da loja, se preciso for, para conseguir conversar algo mais do que queria este remédio, ou no caso, queria estas vitaminas. Contudo, o maior problema, o de convidá-la, queria sair contigo, esse ainda segue sem uma boa estratégia.

Campinas, 16 de dezembro de 2011.

Sem comentários: