terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Minhas imprescindíveis vitaminas na farmácia de Ruth.

Hoje era dia de médico. Consulta de rotina com o Aílton. Essas visitas já foram mais felizes em tempos passados, quando eu ia ao médico para ele dizer que eu não tinha nada. Hoje eles insistem em achar problemas – como onze pedras no rim, por exemplo –, e me receitar remédios. Há, claro, o contraponto positivo: a chance de me encontrar com Ruth, a balconista de farmácia, que há meses não me tira o sono – porque pra me tirar o sono é difícil –, mas povoa meus sonhos.
Dia de ir na farmácia da Ruth é dia de se arrumar um pouco mais pra ir pro centro. Nada em exagero, que roupa muito arrumada, essas que só uso quando saio à noite, no meio do dia, soaria estranho – apesar que o meu arrumado não deve superar em muito o que uma pessoa normal usa para ir à padaria. Depois de provar meia dúzia de camisetas, decidi, por fim, em uma gola polo com listras horizontais, que ganhei de minha avó, para disfarçar um pouco o excesso de esbeltez que me cabe – da última vez fora com uma camisa preta, péssima idéia. Para dar um ar um pouco desleixado, uma calça jeans puída – na verdade, rasgada.
De meio-dia que me dei conta: o horário da consulta! Eu sairia dela quando Ruth, provavelmente, já teria encerrado seu expediente. Raciocínio rápido: lembrei das minhas imprescindíveis vitaminas, que há mais de um mês eu adio a compra: passaria na farmácia antes de ir ao médico – a receita ficaria para a próxima ida, sabe-se lá quando.
O resultado foi o mesmo das duas últimas embrenhadas pela botica: Ruth não estava. Nem ela nem ninguém que costumo ver no turno dela: teriam mudado a escala? Antes eu a encontrava a essa hora. Decidi, de qualquer forma, comprar as vitaminas, já que estava lá e precisava mesmo delas, que, como já disse, são imprescindíveis (ou quase).
Na saída, a caixa não se atrapalhou, como da outra vez, mas se mostrou muito simpática – parece que a loja contrata por simpatia –, apesar de ter me chamado de "senhor". Cogitei se não deveria perguntar e aquela atendente bochechudinha-sardenta, de nome Ruth? Porém me veio uma tremenda dúvida nessa hora: o nome dela é Ruth ou é Rita? Ruth, Rita, são nomes parecidos, quatro letras, começam com R, tem um t como terceira letra. Sem ter certeza do nome, preferi não perguntar nada – é certo que, mesmo estando certo, tampouco perguntaria, até porque vai saber como ela encararia o adjetivo "bochechudinha-sardenta".
Na sala de espera do consultório, meu raciocínio rápido chegou um pouco atrasado, pra variar: eu poderia ter levado um pouco mais a conversa, principalmente quando a caixa perguntou se eu morava em Campinas, e eu respondi que morava em Barão: poderia emendar o porquê de me deslocar tanto pra frequentar uma farmácia que tem outra loja ao lado de casa, comentar, talvez, destas crônicas, pedir se Ruth não tinha facebook, namorado, compromisso para a noite.
Pela segunda vez perdi ótima oportunidade – a primeira fora com a própria Ruth.
Apesar de estar de mudança para São Paulo, prosseguirei com o Aílton, não tenho motivo algum para deixar de ser assistido por ele, pelo contrário. A farmácia de Ruth fica relativamente perto do consultório. Quem sabe na próxima meu raciocínio rápido não seja um pouco mais ágil, e não leve meia hora para ter a grande sacada do momento?

Campinas, 17 de janeiro de 2012.


ps: Me auto-respondendo: duvido-e-ó.

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