terça-feira, 15 de maio de 2012

Ruth, a balconista, e a greve de ônibus.

Não acreditei muito no que eu dizia, mas parece que tinha razão quando falava que Ruth, a balconista, ainda teria vida longa no meu blogue [http://j.mp/cG180412]. Mais, relendo o que escrevi da última vez que a encontrei, passo a suspeitar tenha sido precipitado meu juízo sobre ela, ao dizer que ela se furtava a encarar de frente os fatos [http://j.mp/cG280312]. Talvez, experiente, notasse que era pouco tempo desde a última vez que a vira para eu já dispensá-la, que melhor seria esperar uma próxima oportunidade, se fosse o caso. Uma esquiva estratégica, antes de uma fuga.

E lá estava eu, esta semana, tentando achar um jeito de encontrá-la a qualquer custo, até porque, com as aulas começando em quinze dias, eu não conseguiria mais marcar médico para um horário próximo ao que ela atende.

Não tinha conseguido agendar a consulta para um horário apropriado, mas como dormiria em Campinas, achei que poderia encontrá-la no dia seguinte. Pegaria o ônibus para a rodoviária, pararia no meio do caminho, entraria na farmácia, torceria para ser atendido por ela – se acontecesse, tentaria puxar assunto, no pior dos casos apenas pediria alguma coisa, mas ao menos a teria visto –, pegaria outro ônibus rumo à rodoviária, e de lá voltaria a São Paulo.

Foi quando me surgiu a primeira questão: comprar o que? Vitaminas, não preciso, ainda tenho o pote da última vez. Remédio, Aílton me receitou apenas homeopático – o que não encontraria na farmácia onde ela trabalha. Por um instante me senti quase rejuvenescido por não achar doença que justificasse a ida à farmácia. Vai lá e compra um Menthos, me sugeriu Wlad. Não achei uma boa idéia, por dois motivos: primeiro, balas e afins eu não preciso me dirigir à balconista; segundo, minha hipoglicemia me restringe doces – e minha casa está bem farta de doces diet. Pensei, então, em comprar um frasco de vitamina C – com esse frio, sabe como é, uma gripe sempre pode aparecer –, apesar de saber que vitamina C não faz bem para quem tem pedra no rim. Tudo bem, eu não precisaria tomar tudo, deixaria à disposição dos demais moradores da casa. Achado, pois, o que comprar (depois eu lembraria que precisava comprar algo pra gastrite, que tem me atacado), só precisava ir.

Eis então que o Ricardo me avisa: havia greve de ônibus da empresa que se serve Barão Geraldo. Minha última chance de encontrar Ruth sem grandes malabarismos, e fui boicotado pelo serviço de transporte público – justo ele, que tanto me irritou, extorquiu, prejudicou, quando morei em Campinas, mais essa.

Voltei frustrado para São Paulo, já antevendo que da próxima vez que nos encontrarmos, caso houver uma próxima vez, é capaz d'ela ter um recado para me dar.


São Paulo, 15 de maio de 2012.

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