quarta-feira, 11 de julho de 2012

Não era Ruth, mas...

Não foi Ruth, a balconista, quem me atendeu, mas era a farmácia onde ela trabalha, e eu resolvi aproveitar oportunidade que a sorte me dava e ser um pouco mais ousado.

Saio do Aílton, meu homeopata, e vou à farmácia de Ruth num horário que não esperava encontrá-la trabalhando. Sou atendido, como já disse, por uma outra balconista – noto que Ruth não está lá, o que não me surpreende. Peço o remédio que me foi receitado, e nessa hora o sistema da loja cai. Fica a balconista de um lado, insistindo com o computador, e eu do outro lado do balcão, lamentando que não é a presença de Ruth na minha frente que o sistema alonga.

De repente, como se eu nunca tivesse pensado nisso, falo à atendente: “pergunta nada a ver, mas não tem uma balconista de nome Ruth ou Rita que trabalha aqui?” – finalmente eu sanaria minha dúvida se Ruth, a balconista, não se chamava, na verdade, Rita. “Tem sim, é a Ruth. Trabalha de manhã”. Um breve silêncio, e ela pergunta “por que?”. Pergunta providencial, que me permitia diversas opções de resposta, uma mais adequada que a outra! “É que uma vez fui atendido por ela”. Ok, diante das muitas respostas adequadas, essa não era uma delas, admito. Novo silêncio, o sistema ainda fora do ar, o que me dá tempo para uma nova tentativa: “Ela trabalha que horas?”, “das sete às três”. O sistema voltou e fecho minha compra – e a oportunidade uma terceira réplica de insucesso.

Como disse no início da crônica, havia aproveitado a deixa para ser um pouco mais ousado. Quem me conhece sabe que mais do que isso da minha parte não pode ser considerado ousadia, mas praticamente um ato tresloucado (acontece, mas muito raramente). O que esperava a ansiosa leitora que eu fizesse, depois de já ter me arriscado a perguntar se ela trabalhava lá? Queria que eu dissesse que achava ela uma bochechuda linda? Que desse meu e-mail, facebook, telefone, o link pra uma das crônicas que falo dela, anotado em um cartão ou num marca-página da Casuística?

Eu bem que gostaria de ter feito isso, mas bateu uma timidez na hora, uma vergonha de algum ridículo qualquer – sei lá qual –, talvez um medo de que desse certo e isso atrapalhasse minhas crônicas futuras. Saí de lá achando que saber que o nome dela era mesmo Ruth e que ela não só não estava morta ou em outro emprego, como trabalhava das sete às três já era um grande passo!

Uma hora me relampejou a pergunta: “grande passo para aonde?”, mas polianicamente preferi me concentrar na ousadia de ter perguntado por ela. Quem sabe na minha próxima ida para Campinas...


Campinas, 11 de julho de 2012.

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