sexta-feira, 10 de julho de 2015

De quando escrevi para a Nova Ruth (e ela respondeu!)

Mal soltei minha última crônica sobre a Nova Ruth, e a amiga que tinha ma indicado me chamou pelo Fake: e aí? aí aí o que? - não entendi o que ela queria saber. O que você fez? Ora, o que fiz, escrevi a crônica, não leu? Sim, mas além disso? Teria dado aquela risada forçada se estivéssemos cara-a-cara antes de responder com outra pergunta, você esperava algo além de uma crônica - talvez duas? À resposta afirmativa dela, não tinha muito mais o que dizer: se nem para a Ruth, a balconista, que era A Ruth, a balconista - a linda sardenta e bochechuda de olhos verdes -, eu tive coragem de falar qualquer coisa - passar um bilhete, indicar meu blogue, deixar uma carta anônima na porta da farmácia, sei lá -, imagina a Nova Ruth, com quem corro o risco de trombar outras vezes por São Paulo. Digo oi, a conversa morre ali, e no dia seguinte estamos lado a lado tomando mate: vou dizer o que? Te mandei um oi ontem, no Fake, você me respondeu, mas eu não tinha mais nada pra dizer? Isso, claro, se ela se desse ao trabalho de responder. O duro é que essa idéia ficou fermentando na cachola. Será? Passou uma semana, ainda ali: e se...? Como a idéia insistia, comecei a tomar atitudes práticas. A primeira foi criar um perfil falso no Fakebook, pra facilitar a aproximação. Mas então me lembrei da minha ótima-horrível cantada do cedê com Hello, I love you para PPU2 (Paixão Platônica da Unicamp/IA, 2) - a partir de então denominada "Japa do cedê" pelos meus amigos (e prefiro nem saber que apelido ganhei entre os amigos dela que presenciaram a cena). Pareceu (ainda me parece) uma ótima idéia, mas a impressão que tive é que a partir de então ela tanto notou minha existência que passou a fugir de mim. Desisti do perfil falso e desisti de entrar em contato com Nova Ruth. Isso até o dia, ou melhor a noite, quer dizer, já era quase dia (cinco e pouco da manhã), em que, com o superego nocauteado pelo sono (sono funciona melhor que álcool), decidi, solene sonoleso: vou escrever - e escrevi. Uma mensagem rocambolesca, um tanto ébria, que tropeça na própria história, na ânsia de evitar chegar de sopetão. Descrevi desde a primeira vez que a vi, as coincidências, do porquê estava escrevendo para ela e tal, para então, depois de reler a mensagem, cortar o supérfluo (90%), adicionar algumas advertências, como a de que sou prolixo e confuso, para, enfim, depois de dizer que só escrevia por culpa do sono, mandar o link do texto em que eu falava dela. Enviei, corajoso, e deixei o futuro em aberto, esperançoso - eu estava com sono. Pois não é que ela me respondeu? No mesmo dia! Quando vi que havia uma mensagem dela, pensei em deletá-la sem ler - vai que meu coração não agüenta. Ou, pior, vai que me arrependo amargamente de não ter feito algo do tipo com Ruth, a balconista. Claro, isso é tudo um blefe pra enrolar ainda mais esta crônica e ver se consigo prender a atenção do leitor e da leitora ávidos por um affair picante. A resposta foi simples, mas reforçou a impressão que dela tive, de ser uma guria simpática e doce. Reproduzo aqui, ipsis litteris "Boa tarde, Daniel. Te responderei com calma quando tiver um tempo livre." Certo, não foi uma declaração de amor, um pedido de casamento, como eu gostaria, sequer um convite pra um café ou cerveja, como eu aceitaria, porém foi uma resposta, mais do que eu esperava - e uma resposta super educada, ainda por cima!, eu diria quase-fofa. E fiquei na expectativa da Resposta. No dia seguinte, no dia seguinte ao seguinte, na semana seguinte, e assim foi, até eu me dar conta que minha mensagem fora afogada por mensagens outras que ela deve receber diariamente - mais urgentes, mais importantes, mais diretas e mais comuns e ordinárias! -, e que minha saga com a Nova Ruth, ao menos pela internet, terminava ali. A não ser (!) que eu puxasse assunto, algo do seu interesse, como, sei lá, tatuagem. Sabendo que ela não lera minha crônica - se tivesse lido, teria me respondido ou me bloqueado -, eu poderia me mostrar interessado em fazer uma. Poderia ser minha assinatura de beija-flor (que salvo duas pessoas, ninguém consegue enxergar beija-flor ou qualquer coisa). Ou, quem sabe, algo como "Carpe Nova Ruthis" - um modo sutil de mostrar meu interesse por ela. Porém, logo vi dois poréns: o primeiro é que não lembro qual a declinação do feminino acusativo terminado em i (sem falar que prefiro grego, e ando empolgado com árabe), e isso poderia causar uma má impressão; segundo, e se ela propusesse fazer a tatuagem de graça, só pra me testar, eu, que não quero tatuagem? Aceitei, conformado, o ostracismo. Quem sabe numa próxima trombada na rua, ela desacompanhada, eu também desacompanhado, ela não tome coragem e diga olá!

10 de julho de 2015

Felipe me representa!

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