Quem me mandou essa dica para o final de semana foi o nobre colega Macedo. Como ele chegou a esse evento, preferi não perguntar, para manter a amizade, sem julgamentos negativos desnecessários. Pelo mesmo motivo, achei por bem não perguntar se ele iria, em companhia de Maceda e Macedinho. Tampouco irei perguntar como foi, segunda-feira.
Feito essa introdução, vamos a um momento de sociologia de boteco. Tema: carnaval. Basicamente, existem três tipos de relação com essa festa, por parte da classe proletária: amam, aprovam por conta do feriado, e se ressentem porque gostariam de ir mas algum motivo (religioso, distinção social, etc) os impede. E existe essa quarta categoria, que é a galera do mundo da lua, digo, Hogwarts - e que trataremos neste texto.
Trata-se de um pessoal que diz que gosta de história, mas odeia estudar e nega tudo o que pode contradizer sua visão idealizada de uma época em que a Europa vivia sua pureza - tal qual a extrema-direita hoje gostaria de voltar (este é um comentário aleatório, insight que me veio e eu não quis perder). Estou falando do povo que idolatra a época medieval europeia.
Precariedade, escassez, medo permanente, ignorância, sujeira, conhecimento de mundo extremamente limitado, mulheres submissas: tudo isso são efeitos colaterais aceitáveis diante de todo o misticismo católico milenarista, crenças nórdicas diversas, combates por honra e guerras santas contra os infieis maometanos. Quem não gostaria de morar numa época dessas (nem vamos falar da falta de eletricidade e de internet)?
O que isso tem a ver com o carnaval? Pois aí vem a nova categoria de relação com o carnaval. O evento que Macedo me indicou é o carnaval medieval. O que seria bem interessante, se se tratasse mesmo de uma tentativa de reviver essa festa religiosa (rito de inversão, diriam os antropólogos), dessa época de forte hierarquia social. Mas, quê! O que a festa promete é um clichê idealizado, com toda uma atmosfera medieval (aham), música medieval (só não digo “quero ver!”, porque não quero, mas desconfio que não são cantigas trovadorescas e canto gregoriano. Se tiver concerto do Jordi Savall, até poderia ir), dança medieval (solta a roda e vira, solta a roda e vem...), combates medievais (se não rolar um braço cortado, ao menos, é fake), hidromel artesanal (só espero que não sigam as normas de higiene medievais) e, claro, venda de produtos numa “feira medieval” (escambo?).
Quem ler este texto pode até fazer uma sociologia de boteco com relação a carnaval medieval e dar quatro formas de se relacionar com ele: os que nem sabem da sua existência (meu caso, por felizes nove anos), os que gostam e vão, os que não se incomodam, e os que gastam energia para falar mal de um evento aleatório bobo. Deixo claro: não me enquadro nessa quarta categoria: por mim, para melhorar a ambientação medieval/nórdica/feudal, até torço para que no fim de semana se mantenha esse tempo frio e chuvoso, tão propício a lamaçais - como na idade média.
Capítulo II
Não choveu, pelo contrário, fez sol e um calor tropical. Brotinho achou esse “carnaval” legal, ainda que não se parecesse com um. Eu me recuso a comentar.




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