Período de Copa do Mundo é quase tão tumultuado quanto o que antecede as férias. Na última quarta-feira o jogo do Brasil, por exemplo, nem era em horário comercial e causou o maior congestionamento de São Paulo dos últimos seis anos, com quase 1.700 quilômetros - mais parecia galera saindo para passar o natal na praia. Sem falar que isso é a distância para Cuiabá.
Aqui no escritório, correria também, para dar conta das demandas do dia antes de encerrar o expediente. Houve alguma mudança? Não! Saímos às 17h, como todos os dias, mas parece que tudo ficou corrido, atropelado - e acumulou muita coisa para os dias seguintes. Com a classificação do Brasil e o jogo útil de segunda, demandas foram antecipadas e o chicote comeu solto no resto da semana.
Consequências: quarta não fomos tomar o habitual café da tarde. Na quinta, chegamos num horário fora do habitual. Antes de perguntar se iríamos querer o de sempre, a atendente nos admoestou:
Estão atrasados!
E a seguir perguntou por que havíamos faltado no dia anterior.
Demos risada, nos justificamos de brincadeira e fizemos nosso pedido e falamos do jogo.
Sexta-feira, novamente não fomos no horário habitual. Novamente fomos recriminados:
Virou esbórnia agora? Vocês saem a hora que querem para o café?
Eu e Macedo nos entreolhamos. Agora, além da chefe a nos fiscalizar os horários, tínhamos também a atendente do café a cumprir tal tarefa. E ela parecia séria. Na volta para o trabalho Macedo comentou, um tanto temeroso:
É, melhor não vacilarmos mais nos horários do café, nunca se sabe do que é capaz uma atendente irritada com você.
Achei por bem concordar. Lembrei das conversas que já tive com Brotinho, e citei Paulo Freire: quando a educação não é libertadora, o sonho de todo oprimido é se tornar um opressor. Se uma hora surgir oportunidade para algum tipo de fiscal interno, já temos alguém para indicar!
26 de junho de 2026
PS: Este é um texto ficcional (a imagem também), teoricamente de humor. Não há nada para além do texto. Qualquer semelhança com a vida real é uma impressionante coincidência, ou fruto da sua mente viciada que quer pôr tudo em formas pré-definidas.

