Chegou o tão anunciado passaralho! Isso faz uns dias, mas só agora consigo entender o que está acontecendo - mais ou menos - e trazer aqui para a desocupada leitora, o desocupado leitor que me acompanha. Justifico a demora: Macedo esteve de férias no meio desse imbróglio todo, e ele é minha fonte oficial, já que preciso manter minha pose de antissocial. Não que eu tenha algo contra meus colegas (salvo alguns), mas prefiro seguir sem ter nada contra, e para isso, nada melhor que evitar contato.
Passada essa perplexidade inicial, veio o medo: limparam o meio-escalão, era hora dos buchas de canhão. Um mês e nada. No início do segundo mês, novo organograma dos setores, excluiu um, incorporou em outro, criou mais um. Agora vem a tesourada, imaginamos. E veio... no chefe. Sempre bem relacionado, não foi suficiente para superar sua improdutividade.
Fora isso, uma série de rearranjos, mas ninguém demitido. Nada de cortes no quadro geral, para “melhorar a eficiência”, como os cabeças de planilha adoram fazer.
Na rádio-peão choveram teorias conspiratórias sobre o que teria acontecido. A mais aceita é que as demissões dos dois subchefes, que eram os braços direitos do chefe, eram para dar chance para este mostrar sua capacidade. Deram um mês de prazo. E ele atestou o que seus subordinados já sabiam.
Também vieram as fofocas quentes. A funcionária contratada não havia muito, a pedido do ex-chefe, contrariando a orientação do RH, teria sido quem puxou o tapete dos braços direitos - e ganhou como prêmio a chefia de um setor recém criado, no qual fomos alocados.
Da minha parte, eu não gostava do chefe antigo, então não lamentei. Ainda não tive tempo para desgostar da atual, mas sei que é questão de ter um pouco de paciência. Ao menos ela é mais simpática com os subordinados - até agora.
Consequência da reformulação: dança geral das cadeiras, várias mudanças de baias. Praticamente só a do nosso setor permaneceu intacta. A baia que fica às minhas costas, não. E quem foi sentar logo atrás de mim? A doutora Sabujinha! Com todo seu carisma e sempre animada para conversas de cerca-lourenço, em se queixar da vida e ver o que os outros estão fazendo - prejudicando minha veia literária (se os textos começarem a rarear, já sabem). A nova queixa dela é que onde ela senta (onde ela quis sentar!), perto da janela, é frio. Ela poderia mudar? Poderia. Vai? Já avisou que não. Pior: ela confidenciou a Macedo que gostaria, mesmo, era de ficar no meu lugar. Sabendo do seu sabujismo, isso é uma clara ameaça.
A maioria dos colegas respira aliviado, acreditando que o passaralho passou. Eu, sigo na tensão e já passei o recado via o nobre colega: se forem me tirar do meu lugar, vai ter gritaria!
